segunda-feira, 23 de novembro de 2020

75 anos dos julgamentos de Nuremberg: o que exames psicológicos revelaram sobre nazistas? por BBC português

 

Em https://www.bbc.com/portuguese/geral-55035660



75 anos dos julgamentos de Nuremberg: o que exames psicológicos revelaram sobre nazistas?

Hermann Göring e Rudolf Hess em Nuremberg

Getty Images

Os julgamentos de Nuremberg começaram em 20 de novembro de 1945. No canto inferior esquerdo, usando óculos escuros, está Hermann Göring, seguido por Rudolf Hess, os réus mais notórios

Após o fim da 2ª Guerra Mundial, a devastação foi tão grande e os crimes de guerra tão extensos que as forças aliadas vitoriosas determinaram que era necessário impor alguma forma de punição aos responsáveis pela geração dessa máquina de destruição e extermínio contra a humanidade.

Houve um cabo de guerra político entre os Aliados sobre o que fazer com os líderes nazistas capturados.

A certa altura, havia aqueles que defendiam as execuções sumárias, mas no final um julgamento por um Tribunal Militar Internacional foi considerado importante para educar o mundo sobre o que havia acontecido.

Esses foram os julgamentos de Nuremberg, que começaram em 20 de novembro, 75 anos atrás.

Pouco se sabe, no entanto, de um extraordinário processo de análise psiquiátrica e psicológica dos prisioneiros que foi realizado em paralelo para tentar encontrar as origens de seu mal.

Talvez também te interesse

Horas e horas de entrevistas, exames e observações geraram inúmeros documentos que foram esquecidos e, em 2016, foram resgatados no livro Anatomia do mal: O Enigma dos Criminosos de Guerra Nazistas.

Seu autor, Joel Dimsdale, professor emérito de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, em San Diego, conversou com a BBC.

Contato íntimo com o 'mal'

O Palácio da Justiça e a prisão de Nuremberg sobreviveram ao bombardeio dos Aliados

Getty Images

O Palácio da Justiça e a prisão de Nuremberg sobreviveram ao bombardeio dos Aliados

Nuremberg foi escolhida como sede dos julgamentos por seu valor simbólico, já que a cidade da Baviera havia sido palco de grandes paradas e comícios políticos dos nazistas no prelúdio da 2ª Guerra.

Mas também havia um motivo pragmático: o Palácio da Justiça, que havia sobrevivido milagrosamente ao bombardeio aliado e no qual o Tribunal Militar Internacional seria instalado, tinha uma prisão anexa que permitia o confinamento seguro e a vigilância dos acusados que seriam julgados.

O primeiro processo foi contra 22 líderes nazistas e, embora as sentenças tenham sido previsíveis (12 deles foram condenados à morte por enforcamento), houve também um chamado para a realização de uma investigação psicológica dos presos para tentar entender a origem de sua maldade e as razões dos horrores que cometeram.

"Cada prisão teve a presença de um psiquiatra e de um psicólogo para manter o ânimo dos presos para que eles possam enfrentar os seus julgamentos e participar na sua defesa", explica Dismdale.

Mas, em Nuremberg, aconteceu algo extraordinário: o trabalho conjunto de dois analistas brilhantes cuja obsessão, iniciativa e ambição pessoal os levaram a empreender uma investigação minuciosa, com incontáveis horas de entrevistas, observações, testes e avaliações de cada um dos acusados.

De um lado estava Douglas Kelley, psiquiatra militar, um especialista de renome mundial no teste de Rorschach, uma avaliação de personalidade baseada na interpretação do paciente de uma série de manchas.

Kelley foi o primeiro a ter acesso aos líderes nazistas, mas, como ele não falava alemão, foi designado para ajudá-lo um psicólogo militar igualmente brilhante de pais judeus austríacos: Gustave Douglas.

"Seu trabalho os colocou em contato íntimo com personalidades tão perversas que alguns pensaram que havia algo profundamente danificado neles, que eles tinham algum tipo de disfunção cerebral ou doença mental", afirma Dismdale.

"Essa preocupação adicionada à magnitude de sua maldade foi o que provocou a investigação de seu estado psiquiátrico e psicológico."

Testes de Rorschach

Getty Images

Os testes de Rorschach foram um dos métodos usados para analisar criminosos de guerra

Diferenças e rivalidades profissionais

Apesar de Kelley e Douglas serem colegas de trabalho, eles se odiavam e desenvolveram uma rivalidade muito competitiva sobre quem era o dono do trabalho executado. Eles também se envolveram em discussões filosóficas sobre a natureza do mal e a interpretação das evidências do Rorschach.

O psicólogo acreditava que os testes mostravam que os réus nazistas eram "outros" — ou seja, seres qualitativamente diferentes dos demais humanos — enquanto o psiquiatra os via mais como carreiristas dispostos a fazer o que fosse necessário para avançar profissionalmente, mas sem nada particularmente monstruoso em seu comportamento.

Devido a essa competição e sua diferença de opinião, os resultados dos testes de Rorschach foram praticamente esquecidos, até que Dimsdale recebeu uma visita inesperada.

"Estava em meu consultório em Harvard quando um homem veio sem hora marcada, bateu e entrou com uma maleta de transporte de armas", diz o professor. "Ele me perguntou: 'Você é Dimsdale?' Eu disse que sim. Ele se sentou no meu sofá e disse: 'Eu sou o carrasco. Eu vim atrás de você', e ele abriu a maleta e mostrou uma série de documentos da 2ª Guerra Mundial."

O homem era um dos responsáveis pelas execuções em Nuremberg.

Dimsdale concentrou suas primeiras investigações nos sobreviventes dos campos de concentração, mas motivado por este "carrasco", decidiu vasculhar arquivos secretos sobre os resultados da psicanálise de criminosos de guerra para entender o que havia acontecido.

'Alguns podiam ser charmosos, outros eram desagradáveis'

Joel E. Dimsdale

Guenter Distler

Joel Dimsdale vasculhou os arquivos de Nuremberg para estudar quatro dos criminosos de guerra nazistas

Todos os réus de Nuremberg apresentaram casos igualmente interessantes. Mas, para seu livro, Dismdale decidiu estudar quatro que eram diametralmente opostos em termos de origens, comportamentos e reações ao julgamento a que foram submetidos.

Eles eram: Robert Ley, líder do Reich e chefe da Frente Trabalhista Alemã; Julius Streicher, fundador do diário antissemita Der Stürmer, parte central do aparato de propaganda nazista; Rudolf Hess, substituto do Führer; e Hermann Göring, a figura mais poderosa do Partido Nazista e Chanceler da Alemanha após a morte de Hitler.

O que mais surpreendeu Dimsdale ao estudar esses quatro indivíduos é que o mal não parece ser algo monocromático.

"Presume-se que todos fossem monstros do mesmo tamanho, mas o fato é que eles tinham origens diferentes, estilos de relacionamento diferentes", diz ele.

"Alguns podiam ser charmosos quando lhes convinha, outros eram tão desagradáveis que até seus próprios colegas os desprezavam. Fiquei surpreso que pudessem ser tão variados, mas ao mesmo tempo eram igualmente responsáveis por eventos tão monstruosos."

Personalidade complexa

Ley controlava 95% da força de trabalho do país. Ele ordenou o assassinato de sindicalistas que não apoiavam o Partido Nazista e ajudou no estabelecimento de fábricas de trabalhos forçados. Ele era fanaticamente leal a Hitler e considerava o Partido Nazista "nossa ordem religiosa, nosso lar sem o qual não podemos viver".

Hitler e Robert Ley

Getty Images

Robert Ley, atrás de Adolf Hitler durante um comício político nazista, tinha uma personalidade complexa

Mas ele tinha uma personalidade complexa, porque também defendia os direitos dos trabalhadores, um salário justo para as mulheres e mais tempo de férias.

Na 1ª Guerra Mundial, Ley sofreu um ferimento na cabeça que o deixou com uma gagueira e um comportamento errático pelo resto de sua vida, estando sujeito a ataques repentinos de raiva. Seus problemas com o álcool também eram famosos.

Durante seus interrogatórios na prisão, ele foi bastante perspicaz sobre a derrota nazista. Ele aceitou ser considerado um inimigo, mas se sentiu humilhado por ser considerado um criminoso.

No final, ele reconheceu sua culpa e expressou remorso. Embora os prisioneiros estivessem sob observação 24 horas por dia e houvesse controle rígido sobre quem entrava em contato com eles, Ley conseguiu se matar enforcando-se com uma corda.

"Seu cérebro foi analisado depois para ver se havia alguma patologia", diz Dimsdale. "Resumindo, pensava-se que talvez houvesse mudanças sutis no cérebro, mas nada foi encontrado."

'Erva daninha'

Julius Streicher

Getty Images

Julius Streicher era um indivíduo tão desagradável que até seus colegas o odiavam

Um dos réus mais originais foi Streicher. "Talvez o mais nojento dos criminosos de guerra", diz Dimsdale. Ele era considerado o mais antissemita do gabinete nazista — e havia muita competição por esse título, mas ele era "o pior dos piores".

Sua presença em Nuremberg não foi a primeira perante um tribunal. Ele se gabou de ter sido processado várias vezes por difamação, sadismo, estupro e outros crimes sexuais. No entanto, em suas entrevistas com Kelley, ele disse que dormia muito bem na prisão devido à sua "consciência limpa".

Kelley o classificou como paranoico e questionou como ele teria conseguido manter influência sobre milhares de alemães "sensatos". Por sua vez, Gilbert o descreveu como rígido, insensível e obsessivo.

Em uma ocasião, ele se declarou um sionista, disse que amava os judeus e achava que eles deveriam viver em seu próprio país, algo estranho em um homem que por décadas fez os mais violentos e violentos discursos antissemitas.

Em seu livro, Dimsdale diz que, em outro contexto, Stricher teria sido considerado simplesmente uma "erva daninha" — alguém brigão, violento, corrupto e depravado.

Antes que a forca fosse colocada em seus pescoços, os condenados foram questionados sobre seus nomes. Streicher gritou desafiadoramente: "Heil Hitler! Você conhece bem o meu nome!"

Fingindo insanidade?

Rudolf Hess

Getty Images

Rudolf Hess reclamou que tentaram envenená-lo

O terceiro líder nazista que Dimsdale estudou foi Hess, o vice-Führer, e um dos dois réus cuja faculdade mental para enfrentar o julgamento foi questionada.

Ele era um líder sênior do Partido Nazista. Foi preso com Hitler na década de 1920 e o ajudou a escrever Minha Luta. Apesar de sua estranha aparência "cadavérica" e excentricidades, ele era um orador popular em famosos comícios nazistas. Gilbert declarou que ele "tinha uma devoção canina a Hitler".

Mas sua influência começou a diminuir e, no início da guerra, Hess voou secretamente para a Inglaterra, onde pousou de paraquedas com a intenção de chegar a um acordo de paz com os britânicos. Lá, ele foi preso por anos em um hospital psiquiátrico.

Após sua transferência para Nuremberg, ele se queixou constantemente de amnésia intermitente, dor, e acusou os Aliados de tentarem envenená-lo, porque eles seriam controlados pelos judeus através de hipnose.

Ele se comportou de forma tão estranha que alguns questionaram se ele estava fingindo, então, trouxeram uma equipe de psiquiatras de todo o mundo para entrevistá-lo. "Algo estava profundamente errado com Hess", observa Dimsdale, "mas não tão errado que ele não pudesse participar de sua defesa".

O tribunal o condenou à prisão perpétua em Spandau, em Berlim, onde permaneceu até agosto de 1987, quando se enforcou, aos 93 anos.

'Psicopata amigável'

Hermann Göring

Getty Images

Dimsdale descreve Hermann Göring como 'um homem corrupto com gosto pelo luxo e pelo roubo'

Göring foi o réu de maior patente a ser julgado em Nuremberg e o quarto a ser estudado por Dimsdale no seu livro.

Foi presidente do Reichstag (Parlamento), fundador da Gestapo (polícia secreta), comandante-em-chefe da Luftwaffe (Força Aérea), coordenador da Conferência de Wansee (onde a "solução final" para o extermínio dos judeus foi elaborada) e o criador dos primeiros campos de concentração.

Ele era muito inteligente, imaginativo e, ao mesmo tempo, brutal, com um desprezo total pela vida humana. Um viciado em opioides com uma personalidade exuberante, escreve Dimsdale em seu livro. "Um homem corrupto com gosto pelo luxo e pelo roubo." Ele saqueou peças de arte a torto e a direito. Mas ele também era "simpático, expansivo, excêntrico e engraçado", diz o autor.

Um "psicopata amigável" foi como Gilbert o descreveu. Sua reação a este réu, assim como aos outros, foi de "repulsa", disse Dismdale.

Antes de ser condenado, Göring perguntou o que seus testes de Rorschach haviam revelado ao psicólogo, que respondeu: "Honestamente (...) embora mostrem que você tem uma mente ativa e agressiva, você não tem coragem de enfrentar sua responsabilidade (...) você fez a mesma coisa durante a guerra, drogando sua mente para não enfrentar atrocidades (...) você é um covarde moral".

Kelley, por sua vez, o rotulou como um "indivíduo narcisista agressivo (...) dominado pela fixação em si mesmo". No entanto, ele desenvolveu sentimentos muito positivos em relação ao prisioneiro, observa Dimsdale. "Göring até pediu a Kelley que adotasse sua filha (algo que ele não fez)."

Göring ficou indignado e sentiu-se humilhado porque não seria executado perante um pelotão de fuzilamento, mas enforcado. Horas antes de subir na forca, ele cometeu suicídio mordendo uma cápsula de cianeto. Especulou-se que Kelley poderia ter dado o veneno a ele como um gesto de compaixão.

Um dos envelopes lacrados de Rudolf Hess, onde ele guardava amostras de comida que acreditava estar envenenada

Joel Dimsdale

Um dos envelopes lacrados de Rudolf Hess, onde ele guardava amostras de comida que acreditava estar envenenada

Contratransferência

As diferentes percepções de Gilbert e Kelley sobre o acusado podem ser causadas pela possível "contaminação" que pode afetar os especialistas pelo contato próximo com o paciente.

"Quando você se senta com alguém por horas a fio, algo passa para você como terapeuta", explica Dimsdale.

"Todos nós temos sentimentos quando interagimos. Podemos não saber nada sobre o assunto (que analisamos), mas algo em sua voz ou como ele se comporta nos lembra de alguém que nós conhecemos no passado e fazemos uma transferência de como isso nos faz sentir. Às vezes são sentimentos positivos, outras vezes muito negativos."

Como uma anedota perturbadora, Dimsdale observa que Kelley teve uma carreira bastante ativa nos dez anos seguintes após os julgamentos. Ele ministrou inúmeros seminários sobre o assunto, destacou-se como professor de Criminologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, cercado de objetos coletados em Nuremberg. 

Seu ritmo de trabalho era intenso, assim como seu alcoolismo e irritabilidade. No Ano Novo de 1958, após um acesso de raiva, ele cometeu suicídio na frente de sua família com cianeto.

"Deve haver algo incomum em sentar-se em uma prisão com esses criminosos de guerra", diz Dimsdale.

"Eram celas pequenas, úmidas e escuras. Ambos se sentavam em uma pequena cama para conversar interminavelmente, em entrevistas e testes psicológicos, e dificilmente se pode imaginar o sentimento de horror destes psicólogos e médicos que tiveram que estar lado a lado com pessoas que perpetraram atos terríveis."

No entanto, eles também ficaram incomodados por não terem encontrado uma "marca de Caim" definitiva nesses criminosos de guerra, afirma Dimsdale.

"Acho que eles ficaram surpresos por não estarem sentados ao lado de monstros."

Nesta imagem de uma dramatização da BBC de uma das sessões de Gustave Gilbert com um réu de crimes de guerra nazista

Nesta imagem de uma dramatização da BBC de uma das sessões de Gustave Gilbert com um réu de crimes de guerra nazista

Resultados ocultos

Talvez por causa disso e das diferentes conclusões a que Kelley e Gilbert chegaram, os resultados do teste de Rorschach dos líderes nazistas seguiram secretos. Em diferentes momentos, houve tentativas de reanimar o interesse, mas nenhum dos analistas que receberam os testes quis responder sobre o que viram.

Décadas depois, a psicóloga Molly Harrower decidiu fazer uma "análise cega" dos resultados. Ela primeiro apagou os nomes que identificavam a qual criminoso os resultados pertenciam e os misturou com os resultados de outras pessoas, incluindo pastores religiosos, estudantes de Medicina, enfermeiras, executivos e delinquentes juvenis. Em seguida, ela os enviou a especialistas pedindo que os classificassem em grupos diferentes.

"Basicamente, não havia diferenças palpáveis entre os criminosos de guerra e o resto", disse Dimsdale. "O resultado dessa experiência não revelou nada sobre as características psicológicas dos líderes nazistas."

O tribunal de Nuremberg é parte de um museu que comemora o julgamento

Getty Images

O tribunal de Nuremberg é parte de um museu que comemora o julgamento

Hoje, os testes de Rorschach não são amplamente usados, de acordo com Dimsdale. Desde a década de 1980, são realizadas entrevistas diagnósticas psiquiátricas, e existe um Manual de Diagnóstico Estatístico para o estudo e tratamento de transtornos mentais que é atualizado anualmente.

"No campo da neurociência, o trabalho é feito no cérebro e no comportamento", diz o professor. "Existem imagens cerebrais que podem ser apresentadas em tribunal como uma forma de defesa para argumentar que a pessoa acusada não é má, mas tem um cérebro defeituoso e, assim, consegue algum tipo de clemência. Este tipo de coisas acontecerá mais no futuro, será assunto de debate nos tribunais", afirma.

"Teria sido mais confortável concluir que havia algo absolutamente, definitivamente único, profundamente maligno, patologicamente horrível nesses líderes nazistas", diz ele.

"Eles têm que ser monstros. Isso é o que queremos que eles sejam. Se eles fossem qualquer coisa menos do que isso, temos que enfrentar a questão de 'O que eu teria feito? Eu teria chegado tão longe?' Essa é uma pergunta muito dolorosa e perturbadora para as pessoas."

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

MPTO pede que juiz eleitoral proíba carreata e comícios em Miracema, Lajeado e Tocantínia

 No Jornal do Tocantins ...

https://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/politica/mpto-pede-que-juiz-eleitoral-pro%C3%ADba-carreata-e-com%C3%ADcios-em-miracema-lajeado-e-tocant%C3%ADnia-1.2133529



MPTO pede que juiz eleitoral proíba carreata e comícios em Miracema, Lajeado e Tocantínia

Representação do promotor João Edson afirma que querer impedir atos de propaganda eleitoral, mas garantir a realização conforme regras sanitárias que evitem avanço da Covid-19

Eleições 2020 Urna Eletrônica
Montagem JTo com imagens do TRE-TO (Foto: TRE-TO) 

Promotor para a 5ª Zona Eleitoral, que abrange os municípios de Miracema, Lajeado e Tocantínia, cidade com predominância indígena dos Xerentes, João Edson de Souza ingressou com uma ação eleitoral para que a Justiça Eleitoral proíba que todas as coligações e os partidos com candidatos aprovados nessas cidades sejam proibidos de realizar atos de campanha na forma de carreatas e comícios. 

O promotor lembra que nas cidades onde atua têm ocorrido atos de campanha eleitoral de forma involuntária, mas também voluntariamente, com aglomeração “de centenas de pessoas com altíssima densidade de ocupação dos espaços utilizados, muitas vezes públicos, com o potencial de descumprir as normas vigentes acerca da política estadual de combate à pandemia da Covid-19 no Tocantins”.

Para Souza, os atos resultam em “um grande risco para a salubridade do processo eleitoral e para a própria saúde e à vida dos eleitores” e descumprem as normas sanitárias e eleitorais. O promotor usa com fundamento, a Lei Federal nº 13.979/2020, com medidas para o enfrentamento da emergência pelo novo coronavírus, o plano de segurança sanitária para as eleições, estabelecido pela Justiça Eleitoral, bem como a Emenda Constitucional nº 107/2020 alterou o calendário eleitoral, que prevê suspensão de atos de campanha com base em parecer de autoridade sanitária.

“Não se trata de punir esta ou aquela coligação e partido, mas sim de garantir o direito fundamental dos eleitoral de participar de um pleito seguro no que se refere a segurança pública e à saúde”, argumenta. Ele afirma que se houver um número significativo de contaminações até o dia da votação, em 15 de novembro, além de ampliar o risco que se submete o cidadão para votar pode dificultar a própria realização do pleito. “Já que precisamos de servidores, juiz, promotores, mesários, aptos a trabalhar, ou seja, que não estejam doentes na referida data.”

O promotor pede que ao proibir os atos, o juiz fixe multa de R$ 20 mil por cada comício ou carreata realizada.

CANDIDATOS EM TOCANTÍNIA

DR. PEDRO SARDINHA (PSD)

JOSE KUMRIZDAZE XERENTE (REDE)

UNIDOS SOMOS MAIS FORTES (PSL e REDE)

MARCELO LUCENA (DEM)

TOCANTÍNIA TEM JEITO (DEM e PTB)

ORCÍLIO (PV)

SILVINO (SD)

UNIDOS POR TOCANTINIA (MDB, PT, SD e PSC)

CANDIDATOS EM MIRACEMA

CAMILA FERNANDES (MDB)

MIRACEMA MERECE MAIS (MDB e SOLIDARIEDADE)

MARIA BALA (PTB)

A NOSSA FORÇA VEM DO POVO (PTB e PSC)

PEDRO QUIXABEIRA (PATRIOTA)

SAULO MILHOMEM (PP)

JUNTOS POR MIRACEMA (REPUBLICANOS, PT, PSD, PCdoB e PP)

CANDIDATOS EM LAJEADO

JOSE EDIVAL (PSC)

LAJEADO PARA TODOS (PSC e PV)

JUNIOR BANDEIRA (MDB)

FÉ, FAMILIA E TRABALHO (MDB e DEM)

HILARIO DIAS (PROS)

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Segue a luta do povo Karajá no Tocantins ...

Matéria do Jornal do Tocantins



Em 24h, Covid-19 leva contador e ceramista Karajá, irmãos de gerente indígena da Seduc

Entre sexta e sábado, além da ceramista Kuaxiru Karajá e do líder Isarire Karajá, irmãos do gerente Waxiy (uaxiã), a doença também é suspeita de ter vitimado a sogra dele, Kualaru

Indígenas
Ceramista Kuaxiru Karajá, o líder Isarire Karajá e a matriarca Kualaru morreram entre sexta-feira e sábado, no Mato Grosso e em Palmas (Foto: Arquivo Pessoal) 

A Covid-19 fez a tristeza e o luto invadir a aldeia Santa Isabel do Morro, da etnia Karajá, na Ilha do Bananal no final de semana, ao causar três mortes de parentes de uma mesma família em menos de 24 horas, entre sexta e sábado. 

Além da incidência da doença causada pelo novo coronavírus, os três são da família do gerente de educação indígena da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) Waxiy (a pronuncia é uaxiã) Maluá Karajá, 46. Entre sexta e sábado, ele perdeu uma irmã e um irmão, em São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, e a sogra em Palmas.

A irmã de Waxiy era uma das mais importantes ceramistas, Kuaxiru Karajá. Ela faleceu aos 70 anos, na sexta-feira, 14, depois de estar internada em São Félix do Araguaia (MT) para tratar complicações da doença. Assim como Komytira, que morreu no mês passado, Kuaxiru era uma hábil ceramista das bonecas de argila (rixòkò). Também era viúva do lendário professor bilíngue Idjuraru Karajá, referência na educação entre os povos da Ilha do Bananal.

Kuaxiru também era irmã do líder indígena, funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai) e contador profissional, formado pela UFMT, Isarire Lukukui Karajá, 60 anos. Isarire também contraiu Covid-19 e, segundo Waxiy foi poupado pela família sobre a morte da irmã, contudo, ele ficou sabendo e teve o quadro agravado.

“Isasire estava bem e foi poupado [da morte da irmã], a gente não contou para ele para não assustar ele, porque era diabético. Não sei como que ele soube e então começou a passar mal, com falta de ar, controlaram, mas no dia seguinte, no sábado, dia do aniversário dele, deu novamente crise e iam tirar [transferir para Cuiabá], onde conseguiram UTI para ele, mas não resistiu e veio a óbito”, conta Waxiy.

Sogra morreu em Palmas

Enquanto os irmãos de Waxiy lutavam em São Félix, em Palmas, a sogra dele Kualaru Karajá, também de aproximadamente 70 anos, passou mal com sintomas da doença e foi levada para UPA-SUL, na sexta-feira, mas acabou falecendo na tarde de sábado.

 “Ela foi para a UPA na sexta-feira, ela fez um teste rápido e relataram que deu negativo, a gente achava que era pneumonia, mas ela ficou lá isolada enquanto iam fazer outro teste, mas ficou tomando remédios, no sábado de manhã ela estava bem melhor, mas de tarde a gente hoje recebeu uma ligação dizendo que ela havia ido a óbito”, conta o gerente, que questiona o procedimento. 

Waxiy vai pedir o prontuário e pedirá ao Ministério Público que investigue a morte. “Essa morte, pelos fatos, precisa ser investigada e os órgãos devem uma explicação, sobre o que de fato ocorreu com minha sogra. Porque, a causa da morte que foi registrada pela UPA é morte por causa indeterminada e com três interrogações, infarto agudo miocárdio? Ou tromboembolismo pulmonar? Ou acidente vascular encefálico? Então é uma coisa que não é conclusiva, praticamente, a causa da morte”, questiona.

Ele também reclama que mesmo sem um outro teste definitivo, a UPA fez medicação para Covid-19, sem ter o resultado definitivo. 

Gerente cobra ações nas aldeias

O gerente de educação questiona a falta de ações de órgãos federais para combater o avanço da doença entre os povos indígenas e lamenta. “Não é fácil perder ente queridos, um atrás do outro para a doença, e ainda perdi minha sogra”, diz Waxiy, que pede ações federais nas aldeias.

“O que está acontecendo nas comunidades indígenas, o que eu vejo é falta de atendimento por parte do órgão responsável pela saúde indígena, falta de ação. Precisa de mais atenção para as comunidades, de um trabalho sobre a importância do isolamento, os cuidados sanitários que devem ter e de equipamentos. O que a gente vê, como o caso das barreiras sanitárias, são montadas pelos próprios indígenas, e sem proteção individual adequada. Então é preciso apoio também do órgão indigenista. A gente não vê essas ações junto à comunidade”.

Essa falta de ação é apontada por Waxiy como uma das causas das mortes dos indígenas. Para ele, ainda que os indígenas usem de medicação caseira, é dever dos órgãos agira para impedir mais mortes. “É a falta de ação é o que está levando os indígenas a morte, os indígenas estão fazendo muito remédio caseiro, mas é preciso dessas ações, faltou um hospital de campanha em polos indígenas para acolher, testar e encaminhar os casos graves”, defende. 

“Os órgãos federais tinham de ter essa autonomia, tomar essa iniciativa. A gente vê óbito em cima de óbito e a gente vê os órgãos responsáveis sem ação, quando deviam estar mais próximos da comunidade indígena.” 


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A luta dos povos indígenas do Tocantins: Segunda etnia mais numerosa do Tocantins, o povo Krahô montou suas próprias barreiras sanitárias, traduziu cartilhas sobre covid e organizou grupo de compras na cidade, mas enfrenta dificuldades para custear medidas e mantém campanha para arrecadar recursos

Excelente matéria no Jornal do Tocantins, do jornalista Lailton Costa.

Link:



Covid-19: estratégias e dificuldades do povo Krahô para conter o coronavírus nas aldeias

Segunda etnia mais numerosa do Tocantins, o povo Krahô montou suas próprias barreiras sanitárias, traduziu cartilhas sobre covid e organizou grupo de compras na cidade, mas enfrenta dificuldades para custear medidas e mantém campanha para arrecadar recursos

Barreira
Povo Krahô adotou várias estratégias para conter doença, mas enfrenta dificuldades para manter medidas (Foto: Salve Krahô/Divulgação) 

A chegada do novo coronavírus no Tocantins representou um desafio ainda maior para uma população de mais de 12,5 mil indígenas distribuídos em mais de 200 aldeias no Estado e instiga os povos indígenas e autoridades, após a infecção de 492 indígenas aldeados. 

O povo Krahô, a segunda etnia mais numerosa sob a jurisdição do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins (DSEI-TO), com 4 confirmações, é a segunda menor em infectados, graças às estratégias adotadas para isolamento das aldeias, avalia o técnico de enfermagem Magayve Xôxôô Krahô, da Aldeia Manoel Alves. 

Os 492 casos oficiais de Covid-19 em indígenas estão na região de Formoso do Araguaia (351 Javaés confirmados), Tocantínia (130 Xerentes), Santa Fé (5 Karajá),  Itacajá (4 Krahôs) e Tocantinópolis (2 Apinajés), segundo boletim do DSEI-TO de quarta-feira, 5.

O número pode não parecer elevado, mas se estivesse reunido em uma só aldeia, teria dizimado as 400 pessoas que vivem na aldeia Manoel Alves, onde mora o técnico Magayve. Ele é considerado um exemplo entre as comunidades, por estar na linha de frente do enfrentamento à doença entre a etnia, e ajudar não apenas a sua aldeia, que tem cerca 400 habitantes, mas todas as demais. 

Um dos papeis do agente é estudar sobre essa doença e levar as informações para 25 aldeias que concentram quase 3.7 mil habitantes que vivem em uma área de 302 mil hectares, entre Itacajá e Goiatins. “Essa pandemia chega muito rápido e depois dos 4 casos, a gente fica assustado e preocupado”, afirma, Magayve, em entrevista concedida por videoconferência junto com o antropólogo e professor Vitor de Aratanha Maia Araujo. 

Magayve afirma que seu povo enfrenta dificuldades para conseguir recursos e materiais necessários para barrar o avanço da Covid-19, agora que fase mais crítica da doença alcança o Tocantins.

As dificuldades são muitas, aliadas à situação atual da pandemia que afeta os próprios órgãos da União encarregados de atuar com os povos indígenas, como a Funai, Ministério Público Federal, Secretaria da Saúde Indígena (Sesai) ligadas ao Polo Base de Saúde Indígena de Itacajá. 

O polo possui apenas 2 médicos e 1 enfermeiro. A equipe visita as aldeias uma vez por mês, como rodízio em cada aldeia.  A condição das estradas entre as cidades e aldeias dificulta também o acesso ao polo que é responsável pelos suprimentos para saúde indígena.

Barreiras de controle: desejo antigo

Para enfrentar a doença, uma das medidas foi montar barreiras físicas que funcionam como controle sanitário e de acesso. “No primeiro mês da barreira sanitária, funcionou muito bem,

ninguém entrava, ninguém ia pra cidade, evitou a doença, e de gente que nem vai fazer para compra, vai só para tomar bebida alcóolica, mas depois de junho, houve muita pressão contra, a barreira diminuiu, o povo cansou” diz Magayve. 

Agora, segundo o agente, falta recurso para não só reativar a barreira, mas mantê-la após o fim da pandemia, porque é controle sobre quem entra e quem sai da aldeia para a cidade. “É um sonho antigo de lideranças”, avalia o indígena. ” 

Os gastos incluem alimentação para os guerreiros Krahô que fiscalizam dia e noite a entrada e saída da barreira, com anotação de dados de quem entra e deixa as aldeias, inclusive serve para mapear os indígenas que vão à cidade o que favorecerá mapear casos suspeitos. 

O antropólogo Vitor Aratanha Araújo concorda. “Controlar a entrada e a saída sem dúvida é um grande legado, a gente quer que a barreira, com uma guarita continuem. Evitou o contágio e impediu a retirada de madeira e diminuíram as invasões. ”

Compra coletiva organizada por aplicativo

Outra medida adotada foi a criação de grupos de whatsapp nas aldeias, que permitiu encomendar produtos da cidade que são entregues pelos comerciantes, desde o maior supermercado, principal fornecedor das aldeias, aos mercados menores.

Em uma das aldeias, que possui internet, cada família nomeou um “procurador”, pessoa encarregada de passar a lista de compras e conferir e receber a entrega na barreira sanitária e repassar para as famílias. “Toda segunda-feira a lista dos pedidos é enviada no whats, depois os comerciantes deixam as compras na guarita e cada procurador faz a entrega”. 

Em outra aldeia, com internet fixada na escola, são quatro grupos e contam com apoio da associação dos professores. Há grupo para o maior supermercado, outro para comércio menores, um terceiro para conversas e demandas pessoais e um grupo de trabalho da associação indígena que controla o serviço da barreira, entre outros. Toda informação é compartilhada no grupo. Antes das compras entrarem na aldeia, guerreiros fazem um trabalho de desinfecção dos pacotes nas barreiras.

Campanha Salve Krahô mobiliza doações para o enfrentamento

A montagem das barreiras foi possível por uma fonte de apoio, a campanha “Salve Krahô’ baseada na internet e redes sociais como facebook e instagram, explica o antropólogo Vitor de Aratanha Araújo. A ação surgiu no início da pandemia e conta com incentivo dos “ibantu”, expressão usada para quem é batizado com um nome krahô por sua ligação com o povo. 

A atriz e diretora Letícia Sabatella, que filmou “Hotxuá” e a cineasta Renee Nader, que codirigiu o premiado “Chuva é Cantoria na aldeia dos Mortos”, longa gravado com o povo Krahô estão entre os aliados da campanha.

 “A Salve Krahô conseguiu reunir alguns doadores, pessoas, pesquisadores, e conseguiu fazer algum tipo de mobilização para um enfrentamento e o plano, com as barreiras da terra indígena, organização para alimentação, limpeza e desinfecção antes de entrar, foi razoavelmente bem executado, mas é um grupo que tá preocupado para tentar conter o avanço da doença”, afirma a cineasta Renee Nader.

O professor Vitor Aratanha Araújo afirma que a campanha ainda precisa de doações para captar recursos para custear a barreira, compra de alimentação, combustível e material de construção. Também busca custear a produção de material mais específico sobre a doença na língua dos Krahôs. 

No início da pandemia, explica Araújo, houve a produção de vídeo, mas é preciso mais informação em língua nativa e para ampliar o isolamento.  Ele também diz que é preciso articular a questão da transparência de dados, para que seja divulgado melhor donde estão os casos suspeitos.

Faz parte da Salve Krahô a venda do e-book bilingue “Hartãt jarẽn xà - A história do Hartãt”. O livro conta a história desse “herói mitológico que guia o povo Krahô até a machadinha Kàjre, enquanto os ensina a ouvir os sons da mata e dos bichos”.

Para obter a obra, basta contribuir com pelo menos R$ 10,00 depositado na conta bancária da Associação Hotxwa e enviar o comprovante para o e-mail krahosalve@gmail.com  para receber o livro digital. 

Toda a articulação pode ser acompanhada no Instagram e Facebook da campanha.

Outras doações podem ser feitas na mesma conta da associação. 

Associação Hôtxwa Cia HIKEN

CNPJ: 16.849.941/0001 -34

BANCO BRADESCO

* Agência: 1725-6

*Conta Corrente: 0086375-0

código IBAN: BR71 6074 6948 0172 5000 0863 750C

O técnico em enfermagem Magayver em sua aldeia: exemplo de dedicação no enfrentamento da pandemia (Foto: Salve Krahô/Divulgação)

terça-feira, 21 de julho de 2020

CIDH emite medidas cautelares em favor dos membros dos povos indígenas Yanomami e Ye'kwana








CIDH emite medidas cautelares em favor dos membros dos povos indígenas Yanomami e Ye'kwana

Washington, D.C. –  Em 17 de julho de 2020, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) emitiu a resolução 35/2020, mediante a qual outorgou medidas cautelares de proteção a favor dos membros dos povos indígenas Yanomami e Ye'kwana. A CIDH considerou que as pessoas beneficiárias estão em situação grave e urgente, pois seus direitos correm risco de danos irreparáveis.

O pedido apresentado pela Associação Hutukara Yanomami e pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos refere-se aos membros da Terra Indígena Yanomami, composta por 321 aldeias, incluindo povos recentemente contatados e alguns em isolamento voluntário. As pessoas beneficiárias estariam em especial situação de risco face à pandemia de COVID-19, considerando sua particular suscetibilidade a doenças respiratórias e o rápido crescimento de contágios no seu território; as falhas no sistema de saúde para a população indígena, agudizadas pela pandemia; a presença ilegal de cerca de 20 mil garimpeiros no território, fomentando o fluxo do vírus das comunidades urbanas; a contaminação da população pelo mercúrio; e, finalmente, os atos de violência de garimpeiros contra a população indígena, principalmente suas lideranças.

A CIDH solicitou informações ao Estado, em conformidade com o artigo 25.5 de seu Regulamento. Foi informada sobre as medidas adotadas para buscar a reabertura das Bases Etnoambientais de Proteção, indicando que uma das três situadas na área já estaria reativada. Também foram fornecidas informações sobre o apoio à alimentação e à saúde que estava sendo prestado ou programado, bem como as diligências relacionadas à proteção territorial das terras indígenas no Brasil.

Na resolução, a Comissão levou em conta o risco diferenciado que os povos indígenas enfrentam diante da pandemia devido à sua particular vulnerabilidade imunológica, principalmente os povos de contato recente ou em isolamento voluntário; o estado crítico do sistema de saúde projetado para atender a população beneficiária; bem como a presença de terceiros não autorizados em seu território. Por sua vez, a CIDH avaliou a existência de uma resolução judicial ordenando a reabertura das três Bases de Proteção Etnoambiental da região, que teria sido apenas parcialmente cumprida, com a reabertura de uma. A CIDH considerou que as informações apresentadas pelo Estado são gerais e programáticas e não permitem ver as ações implementadas diretamente à população beneficiária.

Consequentemente, com base no artigo 25 de seu Regulamento, a CIDH solicitou ao Brasil que adote as medidas necessárias para proteger os direitos à saúde, à vida e à integridade pessoal dos membros dos Povos Indígenas Yanomami e Ye'kwana, implementando, de uma perspectiva culturalmente apropriada, medidas preventivas contra a disseminação da COVID-19, além de fornecer assistência médica adequada em condições de disponibilidade, acessibilidade, aceitabilidade e qualidade, de acordo com os parâmetros internacionais aplicáveis. Foi também solicitado que o Estado acorde com as pessoas beneficiárias e seus representantes as medidas a serem adotadas e que informe as ações adotadas para investigar os fatos alegados e, assim, evitar sua repetição.

A concessão da medida cautelar e sua adoção pelo Estado não prejudicam uma possível petição perante o sistema interamericano no qual são alegadas violações dos direitos protegidos nos instrumentos aplicáveis.
A CIDH é um órgão principal e autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo mandato surge a partir da Carta da OEA e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. A Comissão Interamericana tem como mandato promover a observância e defesa dos direitos humanos na região e atua como órgão consultivo da OEA na temática. A CIDH é composta por sete membros independentes, que são eleitos pela Assembleia Geral da OEA a título pessoal, sem representarem seus países de origem ou de residência.
No. 168/20



Link para a resolução 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

A história da saúde indígena no Brasil e os desafios da pandemia de Covid-19 24/04/2020 Carolina Arouca G. de Brito*






Página da FioCruz

http://www.coc.fiocruz.br/index.php/pt/todas-as-noticias/1779-a-historia-da-saude-indigena-no-brasil-e-os-desafios-da-pandemia-de-covid-19.html#.XxHqIS2gTUo





A história da saúde indígena no Brasil e os desafios da pandemia de Covid-19

Carolina Arouca G. de Brito*
   
Ao longo dos últimos anos, a saúde indígena tem sido tema de importantes levantamentos e estudos sistemáticos no campo das Ciências Sociais (Brito, 2019, 2014; Cardoso et al, 2012; Coimbra, 2013; Costa, 1987; Garnelo et al, 2003; Garnelo, 2012, 2014; Pontes et al, 2019; Santos; Langdon, 2004; Verani, 1999; entre outros). Nesse conjunto de reflexões, figuram os temas das epidemias, das iniciativas de assistência sanitária, das especificidades socioculturais, das carências nutricionais, da demografia e da criação da política de saúde indígena brasileira.
Em tempos de pandemia de Covid-19, recorremos a essa literatura sob a metodologia de análise da História da Saúde, com foco nas populações indígenas, em busca de elementos processuais que contribuam para ampliar nosso conhecimento, nossa empatia e nosso compromisso social e acadêmico com os povos indígenas do Brasil.
Como equacionar as especificidades culturais de sociabilidade e moradia com a indicação de distanciamento social para a contenção da transmissibilidade de um vírus?
Há tempos, nossas populações indígenas enfrentam inúmeras tensões no âmbito da saúdedesde os primeiros contatos coos não indígenas, ainda no século 16, passando pelas epidemias de gripe e sarampo, no século 20, mais recentemente com a gripe H1N1, em 2009, até a pandemia de Covid-19, em 2020. Cada uma dessas epidemias e/ou crises sanitárias impactaram de diferentes formas os grupos indígenas atingidos, seja social, econômica ou demograficamente, sendo, portanto, importante um olhar para as especificidades de cada região e de cada povo na compreensão e no enfrentamento de questões de saúde pública entre os povos indígenas. 
Figuram, ainda, nesse debate, algumas das principais iniciativas do Estado brasileiro, da sociedade civil e da academia na sistematização de um discurso sobre a saúde indígena no país (Kabad et al2020) 
O Serviço de Proteção aos Índios (SPI) foi a primeira instituição brasileira, vinculada ao governo federal, voltada para a questão indígena no Brasil. Entre 1910 e 1967, o SPI desenvolveu ações pontuais de assistência sanitária aos indígenas, a partir de estruturas simplificadas de atenção à saúde, como a manutenção de alguns postos com enfermeiros e convênios itinerantes de prestação de assistência médica ou de levantamentos sanitários entre os grupos indígenas (Brito, 2011; Brito; Lima, 2014). 
Nesse cenário, porém, deve-se destacar uma importante investida institucional do órgão em torno da saúde indígena, como o esboço para a criação de um Serviço Médico Sanitário do SPI”, sugerido pelo médico Herbert Serpa, em 1947, chefe da Seção de Estudos (SE) do mesmo serviçoSeu projeto estabelecia como urgente a estruturação de uma normativa sobre a assistência aos indígenas, que contemplasse as especificidades culturais e as demandas sanitárias daqueles grupos. Como estratégia para minimizar os conflitos entre a chamada medicina ocidental/oficial e as práticas de cura indígenas, o projeto recomendava que os médicos e enfermeiros se especializassem em “antropologia cultural” ou no “trato dos problemas etnográficos” (Serviço Médico Sanitário do SPI, 1947).  
Foi também na SE que o cientista social Darcy Ribeiro – na época um jovem recém-formado pela Escola Livre de Sociologia de São Paulo – desenvolveu suas primeiras pesquisas de campo entre os indígenas brasileiros. Contratado como etnólogo pelo SPI, em 1947, Ribeiro percorreu, entre os anos de 1949 e 1951, a vasta região da floresta maranhense e realizou um estudo etnográfico entre os Urubu-Kaapor. Seus diários de campo e correspondências desse período são particularmente relevantes para refletirmos sobre a saúde dos povos indígenas. Em uma carta escrita para o seu professor na Escola Livre de Sociologia de São Paulo, o antropólogo alemão Herbert Baldus, por exemplo, Darcy Ribeiro relata que o seu principal trabalho no campo vinha sendo o trabalho de auxiliar de cuidados assistenciais em saúde, enfermeiro”, em suas palavras 
Encontramos uma epidemia de sarampo com todas as misérias que ele arrasta consigo, dizimando os índios, um horror. No último mês, percorri cinco aldeias, uma ainda não estava afetada e todas as outras desertas, os índios na mata fugindo de uma peste e levando-a consigo. Em muitas não havia uma só pessoa capaz de trazer alimentos das enormes roças que deixaram para trás na fuga desesperada, de caçar e de pescar e morriam à fome. Nestas, virei cozinheiro. Volto amanhã para a mata, vamos tentar filmar e trabalhar numa aldeia que começa a se reestabelecer, porque seria difícil achar uma sadia e poderíamos levar-lhes a doença. Talvez não saia um filme lá muito ao gosto de certa gente, índios remelando de terçol, magros de tuberculose galopante ou tossindo de pneumonia, e que sei mais de horrores, mas será um bom retrato deste SPI. (Carta de DR-HB, 24/02/1950).  
A saúde indígena faz fronteiras perigosas com outras demandas de ordem política, social e econômica, e, por isso, ainda hoje enfrenta desafios estruturais, especialmente relacionados à posse e à gestão da terra
Darcy Ribeiro escreveria mais detidamente sobre a questão sanitária dos indígenas brasileiros, no texto Convívio e contaminação, publicado em 1955, pela primeira vez, por ocasião da 2ª Reunião da Associação Brasileira de Antropologia, seguida da versão publicada na Revista Sociologia, em 1956, e transformado em capítulo do livro Os índios e a Civilização, de 1970. Nesse texto, Darcy Ribeiro reflete sobre os danos do contato crescente e inevitável entre indígenas e não indígenas, especialmente no que tangia à transmissão de doenças. Na sua visão, a desestruturação social, as carências nutricionais, a orfandade e as dificuldades na manutenção das práticas culturais/familiares eram algumas das maiores consequências dos surtos epidêmicos entre os indígenas e que desafiava a sobrevivência dos grupos indígenas na sociedade brasileira.
As dificuldades sanitárias das populações indígenas são temas recorrentes encontrados nos arquivos dos Boletins Internos do SPI. Nesses documentos oficiais ficaram registradas as principais razões para o agravamento dos surtos epidêmicos e as demandas por assistência sanitária nas aldeias. Entre as situações relatadas nos boletins estão as longas distâncias entre as aldeias e os centros urbanos, a falta de material médico e de pessoal qualificado para o atendimento, os prejuízos do contato com a população não indígena e a não observância aos tratamentos propostos pela “medicina ocidental”. Somava-se a esses fatores a forte perspectiva integracionista do SPI, que compreendia as necessidades sanitárias indígenas como algo transitório, posto que ao ser integrada à “sociedade nacional”, essa população adotaria também novas práticas sanitárias, assemelhando-se aos não indígenas.
Com o fim do SPI e a criação da Fundação Nacional do Índio (Funai), em 1967, a questão indígena passou a ser responsabilidade desse novo órgão governamental, poréma pauta da saúde prosseguiu como um problema a ser enfrentado. A criação das Equipes Volantes de Saúde (EVS), na década de 1970, representou um avanço no alcance da assistência sanitária aos indígenas frente ao que existia àquela altura, porém, sem a estrutura e a regularidade necessárias para atender as demandas das inúmeras e múltiplas regiões do país.
Durante as décadas de 1970 e 1980, além da Funai, outros atores – como sociedade civil, entre movimentos sociais organizados, pesquisadores e intelectuais de diferentes áreas – passaram a discutir de forma mais sistemática a formulação de uma política de assistência aos povos indígenas do Brasil, pautados na ampliação da assistência sanitária e no acesso à terra como pilares da saúde indígenaFoi o caso de instituições como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – que contava com a participação de antropólogos, médicos sanitaristas e cientistas sociais em seus quadros – dUnião das Nações Indígenas (UNI), primeira entidade indígena criada para reunir as lideranças das comunidades indígenas e defender seus interesses no âmbito nacional (Pontes et al, 2019). 
Cabem, ainda hoje, importantes reflexões acerca das peculiaridades sociais, culturais e econômicas dos diversos grupos indígenas do país, que contribuem diretamente para a situação de vulnerabilidade frente ao combate do vírus Sars-CoV-2.
Os debates capitaneados por esses atores sociais em torno da estruturação de um projeto de saúde indígena reverberaram na realização das Conferências Nacionais de Saúde dos Povos Indígenas (em consonância com as demandas nacionais e mais amplas da Reforma Sanitária) e também na Constituinte de 1988, sobretudo em relação à autodeterminação dos povos indígenas em oposição à relação tutelar, anteriormente estabelecida com o Estado. Como resultado dos debates iniciados na década de 1970, passando pelas Conferências Nacionais de Saúde dos Povos Indígenas e pela criação de um Sistema Único de Saúde (SUS, lei nº 8.080) para o país, em 1990, foi desenhada a Lei Arouca (nº 9.839/99, que acrescenta o capítulo V, Título II à lei nº 8.080), que instituiu no Brasil o Subsistema de Saúde Indígena como parte do SUS e rege, até hoje, os rumos da saúde dos povos indígenas brasileiros.
Em perspectiva histórica podemos dizer que Lei Arouca, aprovada em 1999, atendeu finalmente às demandas requeridas pelo médico Herbert Serpa do SPI, em 1947, no seu plano para a criação de um serviço médico sanitáriocuja premissa estivesse pautada ninclusão de especificidades no cuidado aos indígenas, alinhado ao planejamento nacional de saúde do país. É certo que a Lei Arouca apresenta avanços importantes e incontestáveis no debate em torno das demandas por acesso a saúde pública por parte dos indígenas brasileiros, principalmente no que tange às suas especificidades culturais. 
Diferente do Plano de 1947, a Lei Arouca valoriza as práticas sociais e culturais das populações indígenas como elemento central para a estruturação da atenção à saúde indígena, e não somente como uma forma de evitar conflitos entre a medicina ocidental e as práticas indígenas de cura. Além disso, traz em seu artigo 19-H a premissa de que as populações indígenas terão direito de participar ativamente da formulação e do acompanhamento das políticas de saúde. 
É certo que o Estado brasileiro avançou com a criação de um subsistema de saúde indígena e na concepção de uma Política Nacional de Atenção à Saúde aos povos indígenas (PNASPI, 2002), porém, a saúde indígena faz fronteiras perigosas com outras demandas de ordem política, social e econômica, e, por isso, ainda hoje enfrenta desafios estruturais, especialmente relacionados à posse e à gestão da terra, elemento central na manutenção da vida social de grupos inteiros.
Como equacionar as especificidades culturais de sociabilidade e moradia com a indicação de distanciamento social para a contenção da transmissibilidade de um vírus?
Nesse cenário, é possível compreender o significado amplo e estrutural do conceito de saúde para os povos indígenas ao longo do tempo. Desde as primeiras tentativas de sistematização de um Serviço Sanitário, há mais de 70 anoscaminhamos em direção à sistematização da assistência, até a criação de uma lei e de uma política de atenção à saúde dos povos indígenas brasileiros. Porém, cabem, ainda hoje, importantes reflexões acerca das peculiaridades sociais, culturais e econômicas dos diversos grupos indígenas do paísque contribuem diretamente para a situação de vulnerabilidade frente ao combate de um vírus que provoca uma severa síndrome respiratória aguda, altamente transmissível, como o Sars-CoV-2.
As ferramentas de análise processual da história não nos permitem dar as respostas definitivas para o enfrentamento da Covid-19 nas inúmeras aldeias indígenas do país hoje, mas nos ajudam a fazer as perguntas necessárias e urgentes, como, por exemplo: Quais são as justificativas sanitárias e/ou sociais para o agravamento das doenças infecciosas, sobretudo as respiratórias, entre os indígenas? Quais alternativas resolveriam o problema das longas distâncias entre as aldeias e os hospitais de referência, a fim de ampliar o acesso dos grupos indígenas ao sistema de saúde? Qual o papel do Estado diante do perigo iminente dos garimpos ilegais e/ou das invasões às terras indígenas? Como equacionar as especificidades culturais de sociabilidade e moradia com a indicação de distanciamento social para a contenção da transmissibilidade de um vírus? Quais impactos as carências nutricionais têm na saúde indígena de forma mais ampla e como essa questão pode ser solucionada num período de pandemia?
Tais perguntas atravessaram o tempo histórico, as investidas institucionais e permanecem desafiando o poder público na área da saúde indígena e, hoje, na estruturação de um plano de manejo eficiente na contenção do contágio de Covid-19, nas mais de 305 etnias espalhadas pelo território nacional, com especial atenção para a Região Amazônica que concentra, atualmente, 64% da população indígena do país. É nesse sentido que recuperarmos, na história da saúde indígena, análises sobre os impactos das epidemias e das ações do Estado no seu enfrentamento, pois têm o potencial de nos ajudar a definir os próximos passos a seguir como sociedade, academia e Estado.
Carolina Arouca G. de Brito é bolsista de pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS) da Casa de Oswaldo Ceuz (COC/Fiocruz), com bolsa da Faperj (Pós-doutorado Nota 10)
Referências
BRITO C. A. G.; LIMA, N. T. Antropologia e medicina: a saúde no Serviço de Proteção aos Índios (1942-1956) In: SAÚDE indígena em perspectiva: explorando suas matrizes históricas e ideológicas. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014.  p. 59-84. 
BRITO, C. A. G. Convívio e contaminação: uma análise sócio-histórica sobre epidemias, demografia e povos indígenas na obra de Darcy Ribeiro. In: SANTOS, R. V. et al (org.)Entre demografia e antropologia: povos indígenas no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2019. p. 203-2017 
CARDOSO, A. M. et al. Políticas públicas de Saúde para os povos indígenas. In: GIOVANELLA, L. et al (org.). Políticas e sistema de saúde no Brasil. 2. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2012. p. 911-932. 
COIMBRA JR., C. E. A.; SANTOS, R. V.; CARDOSO, A. M. Processo saúde-doença. In: BARROS, D. C.; SILVA, D. O.; GUGELMIN, S. Â. (org.)Vigilância alimentar e nutricional para a saúde indígena Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2007. v. 1. p. 47-74. 
COSTA, D.C. Política Indigenista e assistência à saúde Noel Nutels e o Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas. Cadernos de Saúde Pública, v. 4, n. 3, p. 338-401out./dez. 1987. 
GARNELO, L.; PONTES, A. L. (org.). Saúde indígena: uma introdução ao tema. Brasília: MEC-Secadi, 2012.  
GARNELO, L. O SUS e a saúde indígena: matrizes políticas e institucionais do Subsistema de Saúde Indígena. In: TEIXERA, C. C.; GARNELO, L. (org.). Saúde indígena em perspectiva: explorando suas matrizes históricas e ideológicas. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2014. p. 107-142. 
KABAD, J. F. et alRelações entre produção científica e políticas públicas: o caso da área da saúde dos povos indígenas no campo da saúde coletiva. Ciência & Saúde Coletivav. 25, n. 5, p. 1641-1653, 2020. No prelo. 
LANGDON, E. J. Uma avaliação crítica da atenção diferenciada e a colaboração entre antropologia e profissionais de saúde. In: LANGDON, E. J.; GARNELO, L. (org.). Saúde dos povos indígenas: reflexões sobre antropologia participativa. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2004. p. 33-51.
PONTES, A. L. et al. Diálogos entre indigenismo e reforma sanitária: bases discursivas da criação do subsistema de saúde indígenaRevista Saúde em Debate. Rio de Janeiro, v. 43, n. especial 8, p. 146-159, dez 2019.
RIBEIRO, D. Convívio e contaminação: efeitos dissociativos da depopulação provocada por epidemias em grupos indígenas. Sociologian. 18, p. 3-50, 1956.
RIBEIRO, D. Diários índios: os Urubu-Kaapor. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
SANTOS, R.V.; COIMBRA JUNIOR, C. E. A. Cenários e tendências da saúde e da epidemiologia dos povos indígenas no Brasil. In: COIMBRA JUNIOR, C. E. A.; SANTOS, R. V.; ESCOBAR, A. L. (org.). Epidemiologia e saúde dos povos indígenas no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003. p. 13-47.
VERANI, C. B. L. A Política de saúde do índio e a organização de serviços no Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, v. 1, n. b, p. 143-164, 1999.